O Brasil lidera o ranking mundial de uso de agrotóxicos, consumindo, em média, 7,6 litros de venenos por habitante a cada ano. Além disso, a partir de 2021, o país se tornou o maior importador desses produtos, apresentando um aumento de cerca de 78% nas importações nos últimos 10 anos. Esse consumo elevado está diretamente ligado à expansão da monocultura em larga escala. Cerca de 80% dos agrotóxicos são usados em plantações de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
A partir de 2016 houve um aumento massivo no registro de agrotóxicos, situação que se agravou no governo Bolsonaro. Para se ter uma ideia, entre os anos de 2019 e 2022, foram registrados 2.181 novos produtos, o que corresponde, aproximadamente, a 545 novos registros por ano. No primeiro ano do governo Lula esse cenário não mudou. Em 2023 foram aprovados 505 novos registros de agrotóxicos. E a situação pode se agravar com a sanção do Projeto de Lei (PL 1459/2022 “PL do Veneno”, de dezembro de 2023).
OS IMPACTOS DOS AGROTÓXICOS AO MEIO AMBIENTE
O uso de venenos na agricultura gera uma série de impactos negativos ao meio ambiente e está profundamente relacionado à crise climática que vivemos. A produção, transporte e aplicação desses produtos gera emissões de gases como o dióxido de carbono (CO2), que contribuem diretamente para o efeito estufa e o agravamento do aquecimento global. O uso de pesticidas impacta negativamente na biodiversidade dos ecossistemas, causando a morte de insetos polinizadores, pássaros e outros organismos vitais para o equilíbrio dos ecossistemas. A contaminação do solo por agrotóxicos prejudica a fertilidade e a capacidade de retenção de água, afetando diretamente a produtividade das terras cultivadas. Além disso, quando chove, a água da chuva se infiltra na terra e leva consigo parte dos agrotóxicos presentes no solo, contaminando lençóis freáticos e os corpos d’água, impactando a fauna aquática e a saúde humana.
O crescimento do uso e liberação de agrotóxicos ameaça não só o meio ambiente, mas também a saúde pública. Agrotóxicos estão associados a doenças cancerígenas, malformações fetais, doenças crônicas adquiridas, e por fim, a mortes, por vezes silenciosas, entre quem produz e/ou consome produtos com venenos. Estima-se que 200 mil pessoas morrem por ano no mundo em decorrência de problemas gerados pelo uso de agrotóxicos, sendo que a maioria ocorre em países subdesenvolvidos.
OS AGROTÓXICOS EM CAMPINAS
Em Campinas a situação é alarmante. Segundo dados da Embrapa, a região lidera o ranking de uso de agrotóxicos. Além disso, segundo levantamento do Ministério da Saúde realizado em 2022, foram encontrados 27 agrotóxicos nas redes de abastecimento de água. Desses, 16 são classificados como extremamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.
Diante desse cenário precisamos nos perguntar: quem se beneficia com a liberação e uso dos agrotóxicos? É evidente que projetos como a “PL do Veneno” beneficiam apenas os ruralistas e latifundiários em detrimento do restante da população. Estamos bebendo e comendo veneno para enriquecer ainda mais o agronegócio e grandes multinacionais.
COM LUTA, É POSSÍVEL VENCER
Um exemplo de que é possível transformar Campinas em Zona Livre de Agrotóxicos/veneno vem de Florianópolis/SC onde o vereador Marcos José de Abreu – PSOL, apresentou Projeto de Lei proibindo o uso de agrotóxicos na cidade. O projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara de vereadores e sancionado pela prefeitura, se tornando lei no município (sendo a primeira cidade no Brasil a proibir o uso de agrotóxicos).
Na região de Campinas, temos outro exemplo de vitória, o caso Shell/Basf, em que vencemos as indústrias americanas com o maior processo trabalhista da história do Brasil. Trabalhadores e seus filhos/as foram indenizados e receberam plano de saúde vitalícios. Além disso, as empresas foram condenadas a pagar uma indenização coletiva que foi revertida em diversos projetos como hospitais e centros de pesquisa que beneficiaram toda a sociedade. As empresas Shell/Basf produziam venenos proibidos em vários países. Esses componentes poluíram o solo, água e ar, além de terem matado mais de 60 trabalhadores.
Por todas as razões apresentadas acima, precisamos lutar pela proibição da estocagem, venda e uso dos agrotóxicos/venenos em nossa cidade. Se você concorda que precisamos defender o meio ambiente e proibir a estocagem, venda e uso de agrotóxicos em Campinas, assine o nosso manifesto.